segunda-feira, 27 de abril de 2009

Você tem muitos problemas?



Certa ocasião, um homem, ao ver tanta injustiça, miséria e sofrimento no mundo ajoelhou-se diante do altar e suplicou a Deus: “Pai, faça com que a humanidade mude”!
Passarem-se meses, anos e nada da humanidade mudar efetivamente.
Frustrado, voltou ao altar e suplicou:
“Pai, então faça que o meu país mude”!
Passaram-se anos e nada de seu país mudar.
Angustiado por sua prece não ser atendida novamente, suplicou a Deus: “Então, faça com que a minha família mude”!
Anos se passaram e nada também de sua família mudar.
Mais conformado pediu ao Pai: “Então, peço que pelo menos eu mude”!

Moral da estória: Aprenda a ser modesto. Reconheça que você não tem condições de modificar as pessoas. Saia da ilusão de querer “salvar” a humanidade, as pessoas. Ninguém tem o poder de mudar o outro se este se recusa a mudar. Essa afirmativa pode parecer óbvia para muitos. No entanto, nas atitudes das pessoas, muitos entram na onipotência de achar que é capaz de mudar a todos (marido, esposa, filho, parentes, amigos, etc.), apesar de estes se recusarem a querer se modificar.

Entram na ilusão, por exemplo, de achar que irão fazer o namorado sair do vício da bebida, das drogas, ou mudar o seu casamento se tiverem um filho.
A meu ver, impotência e onipotência são duas faces de uma mesma moeda. Note que quando você entra na onipotência (“tudo posso”), mais cedo ou mais tarde irá cair na impotência (“não sou capaz de nada”).
São os extremos de uma mesma vibração. Portanto, o saudável é buscar o caminho do meio (o caminho do sábio). Ou seja, se sentir potente (não onipotente ou impotente), capaz, respeitando seus limites e os dos outros; caso contrário, irá se frustrar, se infelicitar.

Percebo também em algumas pessoas - aquelas que estão sempre cheias de problemas -, que muitas têm um conceito equivocado de ajuda, vindo da cultura judaico-cristã. Aprendemos nessa cultura que “ajudar” é sermos piedosos (ter pena, dó das pessoas), ao invés de termos compaixão (é compreender, mas não ter pena das pessoas).
No meu entender, piedade estimula o coitadismo, o vitimismo nas pessoas e, com isso, subtrai o poder pessoal (capacidade, potencial de crescimento e realização) delas. Quando você tem pena de uma pessoa, está vendo-a como um ser “incapaz”, desrespeitando sua capacidade, seu potencial. Se tiver “pena” de todo mundo, lembre-se de que com isso você está estimulando, fomentando também a dependência, a subserviência, em vez de estimular as pessoas a serem autônomas, donas de si mesmas, resgatando sua auto-estima, sua dignidade.

Certa vez, vi na internet um vídeo com uma entrevista de uma vítima da talidomida (medicamento sedativo e antiinflamatório especifico para mulheres grávidas, fabricado por um laboratório multinacional na década de 60, que provocou em muitos países o nascimento de crianças com deformações físicas - no caso da vítima entrevistada se tratava de um homem brasileiro que só tinha os braços, não tinha os antebraços e nem as pernas) .
Apesar de sua deficiência física acentuada, ele fazia tudo o que uma pessoa normal faz (trabalhar, namorar, andar a cavalo, laçá-lo, se vestir, cozinhar, etc, sem precisar de ajuda). Ele disse à jornalista que “deficiente não é aquele que não tem braços e pernas, e sim aquele que tem braços e pernas, mas vive reclamando da vida, é um viciado em drogas que rouba, mata. E que a verdadeira força não está nos braços e nas pernas, mas na mente e na força de vontade”.
Portanto, a meu ver, a verdadeira ajuda não é fazer algo pelas pessoas, mas dar-lhes a oportunidade que façam, descubram sua própria força, sua auto-estima, sua dignidade. Ajudar verdadeiramente é ensinar uma pessoa a caminhar com as próprias pernas, libertando-a da ilusão limitadora do comodismo.

Observe que muitos de seus problemas não são seus, mas que você pegou dos outros porque cultiva a crença que tem a “obrigação” de salvar as pessoas, de resolver os seus problemas.

10 comentários:

Altavolt disse...

Excelente, cara Sweet! Particularmente, acho que devemos fazer tudo o que pudermos para melhorar o que estiver ao nosso alcance. Porém, sem essa coisa de onipotência ou de se achar aquele que tem o dever de resolver tudo ao seu redor. É muito importante ajudar os outros a desenvolverem seus potencias e, principalmente, a saírem da mortal inércia. Fora isso, cada um deve descobrir o seu próprio caminho. Gostei da parte da "civilização Judaico-Cristã-Ocidental", como dizem os Cassetas. Cuidado com o Osama que ele quer destruí-la! rsrsrs...Beijão, linda!

Altavolt disse...

Ops, errata, seus "potenciais"!

Anônimo disse...

Minha nova colega virtual, adorei o seu texto.

Concordo com o que o seu amigo acima disse, podemos melhorar o que esta a nossa volta sem estrapolar os limites obviamente. Mas você já deve ter ouvido isto, se cada ser fizer a sua parte sem se preocupar com a dos demais, a tendencia natural é que todo o meio se transforme para melhor.


Quando quiser, pode ir lá olhar meus textos, criei coragem para deixar aqui o endereço, não escrevo tão bem como você, mas de alguma forma tento expor o que se passa ou o que eu vejo dentro do meu "mundo" e da minha "realidade".

Até uma próxima.

PS: http://wearedharma.zip.net

Altavolt disse...

Tive que voltar, Sweet, agora para dizer que vc está linda na nova fotinho! Além de sensível e perspicaz, tem também esse lindo sorriso! Mulher pra 400 talheres! rsrsrs...Beijão!

Sweet Toxicant disse...

Alta: Pois é, eu sou o tipo de pessoa que tenho fixação por disseminar conhecimento. Não que eu me ache a dona da verdade, ou que possuo todo o conhecimento do mundo. Eu estou sempre buscando mais e mais para ter sempre mais e mais a oferecer também e acho que seria ótimo se todos também fizessem isso.. por isso, sempre que vejo uma oportunidade, procuro passar a minha visão da vida, para ajudar as pessoas a enxergarem por um outro ângulo. Acho que a soma de percepções é o que faz o mundo girar (com boa vontade, é claro).


Anônimo (agora Dharma Boy, rs): É difícil simplesmente preocupar-se consigo mesmo apenas, pois as ações dos outros influenciam nossa vida também.. direta ou indiretamente. Por isso os seres humanos são organizados em sociedades, nenhum homem é uma ilha.
Ah, eu gostei bastante dos seus primeiros textos no blog. Você é mais voltado para poesias, acho isso bacana. Mas não sou boa com poesias, sou mais pra prosa (no sentido literário da coisa) mesmo.. rs
Obrigada pela visita, volte sempre ;o)

Sweet Toxicant disse...

Alta denovo: Desse jeito me deixa encabulada! Mas muito obrigada!
Mulher para 400 talheres? É... não saquei.. rs
Obs: Você também escreve de forma maravilhosa! Adoro seus textos e sua percepção (bastante parecida com a minha, aliás)!

xixas disse...

Amiga! Pois é... Muito de verdadeiro em seu texto... As pessoas colocam impecílhos em seus cotidianos. quando na verdade, nossos problemas de nada são perto de muitos outros problemas que outras pessoas tem por aí... E com certeza, essas pessoas com problemas maiores sempre dizem que estão bem, que a vida é linda, que eles são iluminados... Tudo isso só nos mostra que somos insignificantes como um todo, né?!

PS.: Tá rolando um chaveco aqui, é?! hahahaha.. A Loira não tem muita certeza!!! hahahahahahahaha
(Cinica, eu??? hahahaha)

Stefany disse...

Agora que vi que tenho perfil do google aki!!! hahahahaha.... Que loira, fala serio!!!! hahahaha

Stefany disse...

Eu vou fazer propaganda do meu blog... hahahah
http://xixas.wordpress.com/2009/04/28/10-pistas-de-que-ele-e-ruim-de-cama/

Texto otimo, divertidissimo!!!

Sweet Toxicant disse...

Stefany: Acho que todo mundo que tem um email do Gmail consegue! hahaha!

Cínica, você? Que é issooo... rsrsrs

Opa, pode fazer propaganda sim!

Beijos, moça!